sobrinhos

I’m feeling good in da jungle!

 

 

 

 

 

 

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Por Magdalena Bertola

 

Hoje meu dia foi marcado por uma grande e forte nostalgia, isso porque hoje foi a primeira vez que meus sobrinhos, Enzo, de seis anos e Dante, de um e meio, foram ao cinema. Curiosamente, o primeiro filme deles na telona foi Tarzan, o mesmo filme que eu vi quando fui à salinha escura – que hoje em dia é salona – pela primeira vez, em 1999. A diferença é que, como boas crianças nascidas pós 2000, meus lindões – tia coruja, me julguem – já viram a selva africana e os pulos do homem-macaco em 3D. Se bem que, o nome do filme já nos remete a isso, pois “Tarzan: A evolução da lenda” é, nada mais nada menos, do que dizer “OI! AGORA SOMOS MODERNOS E EVOLUÍMOS”. É, pois é, mas mesmo com esse título, minha surpresa (e, não mentirei, excitação em rever o meu querido Rei da Floresta) me fez abrir um sorriso quando a Dona Fátima, ou como eu e meus irmãos chamamos, Mama, me disse que íamos ver – no caso de moi, rever – Tarzan.

Na realidade, não era para eu ter ido ao cinema hoje, eu nem sequer sabia que havia uma nova versão do Tarzan, toda modernosa, passada numa época em que já existem helicópteros, grandes multinacionais modernas e garotas de cabelos e shorts curtos, além de câmeras digitais. O filme em si é bem diferente daquele Tarzan que eu vi quando criança, que se passava numa época de aristocratas e da exploração das florestas africanas – que, convenhamos, nunca acabou -, o moderno, ao invés de ser um bebezinho que nem engatinhava, filho de lordes ingleses exploradores é, na verdade, um garoto de uns seis ou sete anos, herdeiro de uma grande corporação estadounidense. Ah, e os gorilas não falam, nem a Cheetah, o que, incrivelmente, não fez falta (Sorry, querida Cheetah, é a verdade). Apesar de todas as diferenças, eu me senti novamente com dez anos de idade ao ver o garoto-macaco e a Jane moderninha (e loira). Quase chorei em algumas cenas e, apesar do óculos 3D e da mudança na história, não pude desgrudar os olhos da tela (com relutância fui ajudar a Mama a comprar as pipocas, já nos quinze ou vinte minutos de filme porque chegamos atrasadas).

Ah, como é bom voltar a ser criança, mesmo que seja por alguns minutos. Hoje, naquela sala de cinema, voltei a sonhar com viagens à África, com uma vida nas árvores, com voos em cipós e toda a adrenalina que deve existir ao ser uma criança criada numa floresta e, também, senti toda a emoção do primeiro amor daquelas personagens, tanto quanto eu senti quando vi o filme pela primeira vez.

Tarzan é, sem dúvida, juntamente com Mogli e Aladin, o meu desenho animado preferido, ver a sua evolução e ver como ele foi adaptado às crianças modernas me faz, apesar de tudo, feliz, porque dessa maneira eu mesma pude voltar a ser criança, esquecer os problemas da vida adulta, o cansaço do dia-a-dia, as responsabilidades. Ali, naquela cadeira e com aqueles óculos horrorosos fui absorvida num mundo maravilhoso, cheio de perigos e mistério, fui levada a lugares distantes, conheci um garoto de olhos verdes (ai, até lembrei do meu bofe!) que perdera a família e ganhara outra, totalmente diferente, longe dos doces, dos parques de diversão, dos shoppings e de todos os vícios da vida moderna e que, ainda assim, tinha uma vida feliz em meio à selva, junto com animais considerados irracionais, mas que demonstravam amor incondicional.

Naquela selva, conheci homens mesquinhos, o poder do dinheiro, o lado sombrio da humanidade. Não que não a conhecesse, afinal né, vamos combinar que com todos esses políticos fica um pouco difícil não conhecer o lado sombrio das pessoas, mas é incrível ver como uma película, mesmo infantil, que não é para pessoas como eu, da geração que se diz jovem, mas tem tantas atitudes de velha. Mesmo que seja para as crianças que já possuem smartphones e tablets, que usam óculos 3D com a maior naturalidade, ainda assim, essa experiência foi enriquecedora no meu dia. Saí da sala de cinema com sorriso de orelha a orelha e viajando nos meus próprios pensamentos. No fim das contas, não foi apenas o meu sobrinho que ficou pulando para imitar o Rei da Selva.

Agora estou aqui, de volta à minha singela casinha no subúrbio de São Paulo, mas meu cérebro, ah, esse tá pulando de cipó em cipó, surfando em troncos cheios de limo e lutando contra feras selvagens. Ah, Tarzan, como eu senti sua falta!

E digo mais, se daqui 15 anos fizerem uma nova versão de Tarzan (ou de qualquer outro filme da minha infância), para a próxima geração, eu assistirei novamente, e se daqui a 30 anos, tiver outro, mesmo aos 45, assistirei e com toda a certeza, vou segurar o choro, vou rir e passarei alguns dias sonhando com aventuras na selva. Isso porque, chega uma hora que fica chato ser adulta e, o que mais precisamos, é voltar a ser criança e passar uns dias sorrindo por isso.

E você ai, ô jovem velho, vá ver um desenho pra ver se desestressa! Gente chata!

 

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(Só pra constar, a primeira foto é o Tarzan da minha infância, e a últim foto é o novo Tarzan, gatééénho de olhos verrrrrrdes!)